Cenas

103Enfermaria | Cela da freira doente
Quando os humores se desequilibram, a saúde ressente-se, dizem entendidos das artes médicas e da cura de enfermos. Aliás, diz-se que até o caráter tema ver com a saúde de cada um. Sanguíneo, fleumático, colérico ou melancólico. As doenças da plenitude, curam-se por evacuação. As da vacuidade, por repleção. E os contrários pelos contrários, com purgantes, vomitivos, cautérios, sangrias e clisteres. Os conventos cistercienses sempre deram muita atenção aos cuidados de saúde. Às dietas, às quarentenas, ao desenvolvimento de ervas e drogas medicinais. Há uma freira doente, aparentemente coisa simples, mas que requer algum cuidado. Na sua cela, reza-se, sangra-se, dá-se um clister, leva-se a enferma ao pote. O seu estado de saúde deteriora-se, e a morte aproxima-se. Na doença, reflete-se sobre a fé, o significado da vida na terra e da vida eterna.

2_Episódio da Guerra Civil | Frei Simão de Vasconcelos
A história de Frei Simão de Vasconcelos é também parte da história de Arouca. “Frade guerrilheiro”, como ficou conhecido, acabou por ser protagonista de um episódio trágico. Trágico, pela sua captura e execução. Trágico também pela tortura e morte de Bernardino Vaz Pinto, capitão-mor do distrito militar de Arouca, que se trava de razões com o frade junto ao Mosteiro. Absolutistas e liberais também esgrimiram argumentos em Arouca.

Artes e ofíciosArtesãos | Artes e Ofícios
Passado o portão do tempo, parece vivermos o dia-a-dia novecentista. Ao longo do Terreiro, passam padres e frades, mas também encontramos, a trabalharem, o carpinteiro, o ferreiro, o hortelão, o aguadeiro. Trabalha-se o linho e a lã. Fazem-se sapatos. Restauram-se estátuas de santos. Camponeses e artesãos convidam-nos a apreciar o cheiro, a cor e o sabor da fruta e da doçaria conventual. Há sons de um povo que trabalha, enquanto passam nobres, de carruagem puxada a cavalo, para visitarem familiares no Mosteiro, deixando a esmola aos mendigos. Convivemos, aqui, com um povo que trabalha. Que vive em torno do seu Mosteiro. Como que abraçando-o e tornando-o seu.

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6Roda dos Enjeitados | Porta da caridade
A campainha toca junto à Roda dos Expostos ou dos Enjeitados. Dois vultos afastam-se, e deixam um recém-nascido no interior da roda de madeira. As monjas acorrem ao choro frágil, e procuram os que ali deixaram aquela pequena trouxa de panos, contendo uma pequena vida. Não encontram ninguém, a não ser aquele pequeno ser frágil. Uma nova vida é alegria. Vida que vão poder ver crescer e desenvolver-se. Vida que será, desta forma, salva. Vidas que deixam, assim, de ser expostas ou enjeitadas. Aqui também se pratica a caridade, distribuindo géneros pelos mais desfavorecidos. Os pobres encontram aqui algum alívio, “enganam a fome” por algum tempo. As criadas vão distribuindo pão, fruta e outros alimentos. Assim se pratica a caridade.

Cenas_ arquiteto GimacArquiteto Carlos Gimac | O melhor Arquiteto deste Reino visita as obras do Mosteiro
Está de visita a Arouca, para acompanhar de perto as obras de restauro da Igreja e do Cadeiral do Mosteiro, o senhor arquiteto Carlos Gimac. Acompanhado pela Madre Abadessa e pelo senhor Padre Feitor, o melhor arquiteto deste Reino vem ver como os seus desenhos e plantas estão a servir à construção destes novos espaços, que farão do nosso Mosteiro um dos mais belos jamais construídos.

Cenas_ eleição da AbadessaEleição da Abadessa
Por estes dias, toda a comunidade irá reunir-se no coro das freiras, em ordem a eleger a religiosa que mais prendada for e mais apta estiver para o cargo de Abadessa e para a regência do nosso Mosteiro. Haverá Missa do Espírito Santo e seguir-se-á o escrutínio, em que terão voto as noventa e uma religiosas.


Cenas_entrega das varas do poder municipalEntrega das Varas do Poder Municipal
Todos os anos, a Abadessa do Mosteiro entregava as varas do poder Municipal – os pelouros – aos Homens Bons de Arouca, que ocupavam os cargos municipais. Esta cerimónia tinha lugar na Portaria Principal do Mosteiro.

abadessAbadessado
Poetas, boémios e bacharéis preparam as suas rimas para o Abadessado deste ano, em louvor da monga eleita.

Jantar das monjasCeia da Eleição da Abadessa
Com dignidade e pompa, a Abadessa eleita anuncia e convida todas as figuras ilustres das vastas terras que a este Mosteiro prestam vassalagem, para uma ceia comemorativa, aos vinte e três dias do mês de julho, no Pátio dos Comuns, com ementa apropriada.

IMGL0057Reunião de Capítulo
Reúne-se o capítulo. As freiras chegam à sala entoando melodias gregorianas, com a solenidade que este espaço e esta ocasião merecem. Os assuntos do dia-a-dia são debatidos.